E lá está o maluco, aqui no meu computador tá mostrando 0 graus, o cara com sua camisa, simples t-shirt, calça normal, e chinelo, lá fora o cara, andando, falando no telefone. Ontem era compreensível, o alarme de incêndio tocou, não é novidade por aqui. Todos saíram, meus dedos estavam congelantes quando decidi entrar no prédio de artes pra me aquecer. Eram poucos graus, mas eles eram fortes o suficiente para me deixar gemendo de frio.
Fui acometido com uma felicidade abrupta nos últimos instantes, daquelas que você termina limpando a casa. Muito doido. Com música alta, aja novos baianos, só eles, tocando e mantendo minha maré de alto astral. Me levando na onda, lá pra frente, minha cabeça e meus pensamentos. Tudo viajando, na maré e nas ondas das músicas, uma após a outra. Me surpreendendo a cada verso e a cada virada. Valeu braçinho, valeu de verdade.
Aí a gente vai e nem percebe que está indo, acontece isso o tempo todo, comigo, contigo, com todo mundo. Se a gente não para e pensa o que está fazendo a gente já foi. E é tão mais fácil só ir, e todo mundo quer tanto chegar. E a gente vai que vai e muita gente tá indo também. Tenho dado um tempo com essa idas e tenho buscado me segurar em algumas coisas. Tô indo bem mais devagar agora, me seguro em cada coisa que consigo.
Me prendo na letra, na rima, no ritmo. No som da música, da gente, do bicho. Do passo, da árvore, da letra, do vento, do nada. Dá água. No cheiro, no sabor, na beleza da tristeza, na tristeza da beleza. Na flor do maracujá, que é tão linda e tão pequena. Na parede, no muro, no mundo, na diversidade.
Dou risada. Tanta coisa que existe e a gente só vê as mesmas coisas sempre. Injustiça com nós mesmos. Tanta coisa dentro de coisa nenhuma, tanta beleza, tanta.
Tirei tudo das caixas e coloquei tudo aqui, junto de mim, acessível. Evito pessoas que colocam tudo em caixas. Se as encontro, falo pra elas tirarem as coisas das caixas também. Baguncei tudo e agora cadê? Tenho tudo comigo. Está tudo melhor. Mais ainda dá mais. Tirar as caixas do lugar e colocar em qualquer lugar. Rodopiei no meio das caixas e tô de olhos vendados. vou procurar aquilo que preciso de olhos vendados, com caixas embaralhadas e tudo jogado.
Esquenta a cabeça não. Dá um tempo aí e vê o que que está acontecendo a sua volta. Muita mais que isso aí. Um abraço, um beijo e tudo de bom.




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